08/02/2004 Outras
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Música Roqueiro na contramão
Eduardo
Bastos
Quando o assunto é música,
as coisas mais inusitadas podem acontecer. Até
mesmo um guitarrista e cantor americano vir gravar
um disco de rock na terra do axé. E com músicos
nativos. Pois o cara existe, chama-se Joel Justin
e apresenta um currículo com uma lista
quilométrica de serviços prestados a astros da
música pop. Inclusive, nomes consagrados da soul
music, como The Temptations, The Platters e The
Shirelles.
Ex-integrante dos Mad Ants,
banda de garage rock de Chicago influenciada por
grupos como AC/DC, Joel Justin veio parar na Bahia
há três anos e acabou gostando do sarapatel de
ritmos oferecido pela terra. Gostou tanto que
voltou neste verão, misturou-se com músicos
baianos de rock e decidiu gravar um CD solo por
aqui, o 4/4, que pretende lançar primeiro no Brasil
para depois tentar alguma coisa lá
fora.
“Minha música precisava de ritmo e
acho que aqui é o melhor lugar para isso”, explica
Justin. Não que 4/4 seja um disco de rock recheado
de percussão afro-baiana e batidas nativas, ainda
que conte com a participação do percussionista Peu
Meurray. Na verdade, ele é gravado com músicos
baianos de rock, como os integrantes do
Retrofoguetes e o tecladista andré t, além do
baterista argentino Guimo Mingoya. “Quis gravar
aqui por causa da coisa rítmica. Se quisesse só
rock’n’roll ficaria nos Estados Unidos, mas queria
novos ares, pessoas
diferentes”.
PRIMEIRO NO
BRASIL – 4/4 é um disco bem mais pop que os
trabalhos do Mad Ants (o grupo lançou cinco CDs
independentes). Tem rocks rascantes como os do
AC/DC, a exemplo de The Liberty Station, e
selvagens, como Your Everything, mas também
baladas com molho de black music (I Don’t Know
About Love Anymore) e influências dos Beatles (The
Window e Hey, It’s Me).
Joel chegou a
tocar com gente mais próxima do axé, participando
do show de Margareth Menezes na entrega do Troféu
Caymmi em 2002. E fez shows solo em espaços como o
Teatro do Isba e no Calypso Heineken Station. Mais
recentemente, participou da jam session da lavagem
do Morotó (guitarrista dos Retrofoguetes), na
Festa do Bonfim.
Atualmente com 49 anos de
idade, Joel Justin começou a compor aos 14, em
Chicago. Formou os Mad Ants em 1989, que alcançou
boa projeção na região de Chicago nos anos 90. Era
nos intervalos da turnê da banda que ele costumava
tocar com vários nomes dos diversos segmentos da
música pop americana. E trabalhou também como
técnico de som para artistas como B.B. King,
Aretha Franklin, Al Green e o grupo de heavy metal
Poison. Em 1995, o músico se mudou para Los
Angeles, onde fez trilhas sonoras para um filme de
Stephen King e para filmes de TV a cabo.
Agora, Joel quer fazer o percurso inverso
de todos os astros internacionais. “Pretendo
lançar o disco primeiro no Brasil, para depois
partir para o mundo”, fala com bom humor. O
produto já está sendo distribuído entre as
gravadoras do país. Enquanto isso, Joel deu um
pulinho de volta para os EUA, mas garante retornar
em maio.
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